Estudo
defende que Novas Oportunidades estão a trazer mais saber para as famílias
14.01.2011
Adultos
consideram que passaram a poder acompanhar mais os filhos nos estudos
Mais
confiantes e com maior capacidade de comunicação. Estas são as principais mudanças
sentidas por adultos que concluíram o processo de Reconhecimento, Validação e
Certificação de Competências (RVCC), uma das principais vertentes do programa
Novas Oportunidades. A constatação está patente num estudo que será hoje
apresentado em Coimbra.
Foram
inquiridos 358 adultos que ficaram com a equivalência ao 9.º ano. A maioria
concluiu aquela formação em seis meses. Cerca de 83
por cento dão como certo que este processo provocou uma série de alterações das
quais destacam um aumento da auto-estima, um maior
sentimento de realização e valorização pessoal e uma melhoria da capacidade de
comunicação e de relação com outros. "Antigamente sentia-me inferiorizada
por não ter estudos, agora não... agora não me sinto inferior a ninguém",
resume uma das entrevistadas para o estudo desenvolvido pela Escola Superior de
Educação de Coimbra (ESCE) e apoiado pela Agência Nacional de Qualificações, responsável pela iniciativa Novas Oportunidades.
Coordenado
por Lucília Salgado, professora da ESEC, este projecto tentou identificar em que medida esta experiência
dos adultos poderá ter um impacto no percurso escolar dos seus filhos.
Estudos
da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
(OCDE) têm apontado Portugal como um dos países onde o nível educativo dos pais
mais determina o destino escolar dos filhos. Os resultados dos inquéritos a
adultos envolvidos nos processos RVCC e aos professores dos seus filhos mostram
que se estará "perante um processo de mudança na educação em Portugal que
vai para além do aumento das qualificações escolares dos adultos, tocando
estruturalmente o rendimento escolar e a formação das crianças", frisam os
autores do estudo.
Nos
processos de RVCC - que já foram procurados por mais de um milhão de
portugueses - valorizam-se os conhecimentos adquiridos ao longo da vida por via
de um balanço de competências e de uma abordagem autobiográfica. No final, e
dependendo do ponto de partida, obtém-se a equivalência ao 4.º, 6.º, 9.º ou
12.º ano de escolaridade. A maior parte do trabalho individual é feito em casa.
Em muitos casos, para os filhos esta visão dos pais constitui uma estreia que
poderá reforçar o seu próprio empenho na escola.
Na
base está, frisa-se, uma valorização do saber. Em Portugal cerca de 80 por
cento da população não concluiu o ensino secundário.
Sessenta
por cento dos inquiridos disseram que decidiram iniciar um processo de RVCC
porque tinham "vontade de aumentar os seus conhecimentos". Entre as
principais capacidades adquiridas depois da conclusão apontam o trabalho nos
computadores, pesquisa na Internet, as competências na leitura e na escrita.
Setenta por cento dos inquiridos referem que após o processo RVCC dão uma maior
valorização às práticas da leitura e da escrita e cerca de 48
por cento dos inquiridos consideram que passaram a poder acompanhar mais os
filhos nos estudos.
A
esmagadora maioria afirma-se mais confiante nas suas capacidades e competências
para alcançar objectivos profissionais e mais de
metade dizem não querer ficar por aqui. Objectivo:
continuar o processo de aprendizagem. O que foi resumido assim por uma das
entrevistadas: "Acho que cada vez faz mais falta estudar e seguir em
frente e tirar o 12.º ano, ir para um curso superior e nunca parar. Acho que é bom, isto está sempre a evoluir no mundo e estamos sempre a
aprender coisas novas."
Entre
os inquiridos 19 por cento já o tinham concretizado. No ano passado estavam a
concluir o processo que lhes dará equivalência ao 12.º ano.
Clara Viana
Fonte:
http://static.publico.clix.pt/pesoemedida/noticia.aspx?id=1475331&idCanal=74